domingo, 8 de julho de 2007

poema de sete faces


Plagio de Carlos Drummond de Andrades


Quando nasci um anjo torto
desses que vive na sombra
disse: Vai, Daniel! Ser gauche na vida.


As casas espiam os homens
Que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
Não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.


Porém meus olhos
nao perguntam nada.
O homem atrás do cavanhaque
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigoso
homem atrás dos óculos e do cavanhaque.


Meu Deus, por que me abandonastese
sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Modificado por D. Vieira


Carlos Drummond de Andrades

Nenhum comentário: